23jul

Por que amamentação?

Para inaugurar esse espaço, pensei em falar justamente de inícios, despertares, de como tudo começou… muitas pessoas me perguntam o porquê desse envolvimento com a amamentação, com a humanização no atendimento à gestante e puérpera, de onde surgiu esse interesse e porque enveredei por esse caminho. Aqui contarei então um pouco dessa história.

Quando minha filha Júlia nasceu, há 5 anos, eu percorri um longo caminho. Um caminho repleto de informações, descobertas e muita, muita procura. A procura por um profissional que respeitasse minhas decisões e, principalmente, as levasse em conta. Que fosse capaz de prestar um atendimento humanizado e que não me tratasse como mais uma. Nesse caminho, busquei estar munida daquilo que considero mais importante em todo processo da minha vida: INFORMAÇÃO. Cheguei ao trabalho de parto preparada, informada, sabendo como se desenrolaria aquele processo, e aquilo certamente me deixou mais tranqüila e segura. É claro que continuou a ser emocionante, inesperado, assustador, como toda 1ª experiência, mas tenho certeza de que estar bem informada e bem acompanhada resultou no parto dos meus sonhos.

Para a amamentação, a história foi um pouco diferente. Acompanhei uma aula no meu curso de yoga, li algumas revistas, sites… mas na hora H, simplesmente não aconteceu. Eu tinha uma ilusão, e sei que é uma ilusão de muitas gestantes – por isso a importância de se colocar isso aqui – de que seria tudo automático, impulsivo. Bebê nasceu, veio pro colo, abocanhou o seio e glup, glup, glup, mamando… aquela cena linda, de filme, de novela, a mãe ali, plena, feliz e o bebê sendo alimentado, engordando a olhos vistos. Pois nada disso aconteceu… na sala de parto minha filha não quis o peito. Pensei, “tudo bem, acontece, já li em muitos relatos”, mas a hora foi passando e eu ia me deparando com a dificuldade de amamentá-la. Botava a Júlia ao seio, encostava e nada dela pegar. Às vezes conseguia, mas na maioria só ficava ali olhando. Chamei no próprio hospital uma enfermeira que nunca apareceu. Na hora da alta, minha filha tinha finalmente conseguido dormir, então dispensei a ajuda da pediatra pois não queria acordá-la depois de uma noite inteira em claro chorando. E assim fui pra casa, sem lenço, sem documento, com uma linda ruivinha que nasceu a termo, perfeita, mas sem saber mamar.

Depois da 2ª noite sem conseguir amamentar ou dormir – e, é claro, sem dar o braço a torcer e comprar mamadeira ou leite artificial – resolvi qual seria o primeiro passeio da vida da minha filha: vamos ao Banco de leite do IFF! Que bom que em meio aos devaneios do pós-parto eu tive essa brilhante idéia! Juntamos a mega-bolsa, bebê, marido, babá, carrinho e fomos lá, em nosso primeiro passeio em busca de uma orientação. E então… teve início essa história, pois além da orientação, que resultou em uma linda história de amamentação, ganhei também uma profissão. Pois naquele momento, renasceu a psicóloga que estava adormecida dentro de mim, e ali descobri a minha vocação. Eu, que nada sabia, parti em busca de uma formação pois me vi ali, naquele lugar, ajudando e orientando muitas e muitas mães.

E agora estou aqui, apta a reproduzir este conhecimento, atendendo mães que, como eu, precisam de um empurrãozinho pra escrever uma linda história. Porque amamentação é prazer, é saúde, é vínculo, é um super poder do qual nós, mamíferas, podemos e devemos usufruir. Então não deixe de pedir ajuda, pois o caminho pode ter alguns obstáculos mas, com o apoio correto, podemos todas percorrê-lo sem maiores dificuldades!

Neste espaço pretendo falar semanalmente sobre diversos assuntos ligados à maternidade, amamentação, pós-parto, humanização e muitos outros, não deixe de nos acompanhar!