01mar

“Não quer dormir sozinho” por Laura Gutman

É claro que as crianças não querem dormir sozinhas! Não querem, nem devem. Os bebês que não estão em contato com o corpo de suas mães, experimentam um inóspito universo sombrio que os afasta do desejo de bem estar que traziam consigo desde o período em que viviam no ventre amoroso de suas mães. Os recém-nascidos não estão preparados para um salto no escuro: a um berço sem movimento, sem cheiro, sem som, sem sensação de vida.

Esta separação do corpo da mãe causa mais sofrimentos do que podemos imaginar e estabelece um contra-senso na relação mãe-filho. Não há nenhum problema em trazer as crianças para nossa cama. Todos estaremos felizes. Basta experimentar e constatar que a criança dorme sorrindo, que a noite é suave e que nada pode ser contraproducente quando há bem-estar. Lamentavelmente as jovens mães desconfiam da própria capacidade de compreender os pedidos dos filhos, que são inconfundivelmente claros. É socialmente aceita a idéia de que satisfazer as necessidades de um bebê o transforma em “mimado”, ainda que obtenhamos na maior parte das vezes o resultado oposto do esperado, já que na medida em que não dormimos com nossos filhos, nem os tocamos, nem os apertamos, eles nos reclamarão mais e mais.

Pensemos que o “tempo” para as crianças pequenas é um momento doloroso e comovente se a mãe não as acode, ao contrário das vivências intra-uterinas, onde toda a necessidade era atendida instantaneamente. Agora, a espera dói. Se as crianças precisam esperar muito tempo para encontrar conforto nos braços de sua mãe, se aferrarão com vigor aos seios, mordendo, ferindo-os ou chorando, assim que consigam este acesso. O medo será a principal companhia, pois saberão que a ausência da mãe voltará a qualquer momento a assombrá-los. As crianças tem o direito de exigir o contato físico, já que são totalmente dependentes dos cuidados maternos. Têm consciência de seu estado de fragilidade e fazem o que toda criança saudável deve fazer: exigir cuidados suficientes para sua sobrevivência. A noite é longa e escura, e nenhuma criança deveria passar por isso sozinha.

Até quando? Até que a criança não precise mais.

Laura Gutman

Publicado originalmente na Newsletter de Março de 2011

Tradução livre de Bianca Balassiano Najm

01mar

Dicas que podem garantir o sucesso da amamentação

Fiz esse post no início do ano para o Blog da Zazou Gestante e achei que ficou bem completo, por isso compartilho aqui com vocês:

Durante a gestação, muitas mamães direcionam toda sua atenção para o desenvolvimento do bebê e o crescimento da barriguinha, a montagem do novo quarto, a rotina familiar após a chegada do bebê e, principalmente, para o parto. Porém, muitas vezes se esquecem de um assunto bastante importante: a amamentação. Isto porque, convencionou-se dizer que a amamentação é um ato instintivo. Muito pelo contrário! A sucção realmente é instintiva para o bebê, porém a amamentação é um aprendizado, tanto para o bebê quanto para a mãe. Por isso, nada melhor do que munir-se de boa informação e orientação ainda durante a gestação, para evitar que os pequenos percalços e intercorrências dos primeiros dias, ponham fim ao sonho da grande maioria das mamães de amamentar suas crias.

Listarei abaixo as melhores dicas para garantir o sucesso na amamentação:

1) Combinar com o pediatra que fará a sala de parto, de preferência em uma consulta ainda durante a gestação, que você quer o bebê no seio na primeira hora de vida. Colocar o bebê ao seio imediatamente após o nascimento ajuda na manutenção da temperatura corporal do bebê, estimula a liberação da ocitocina – hormônio que rege as contrações uterinas para expulsão da placenta e que dá início à liberação do colostro – estando associado a uma maior duração do período da amamentação exclusiva e, é claro, estimula os sentidos do bebê para que este aprenda com mais facilidade a abocanhar o seio;

2) Pedir também ao pediatra que avise por escrito em seu prontuário da maternidade que não é necessário ofertar complemento ao seu bebê pois estará em aleitamento materno exclusivo, além de proibir a exposição à bicos artificiais (mamadeiras e chupetas) e pedir o alojamento conjunto. Todas essas medidas facilitarão o início da amamentação, pois o bebê estará alerta quando vier ao seio, aprendendo com mais facilidade como mamar com eficiência;

3) Prestar atenção ao posicionamento e pega do bebê: ele deve abocanhar toda a aréola e não somente o mamilo, pois somente assim consegue extrair o leite que necessita. Além disso, o bebê que puxa somente o mamilo fica cansado e irritado com mais facilidade e acaba, por fim, machucando o seio da mãe. Além disso, a boca deve estar bem aberta e com os lábios pra fora (lábios de peixinho).

4) Esquecer o relógio! Durante 9 meses seu bebê teve acesso à alimentação através da placenta durante 24 horas por dia. Não espere que ele vá nascer e se alimentar como um reloginho, com intervalos pré-determinados. Ofereça o seio ao bebê sempre que ele pedir, de 8 a 12 vezes ao dia, sem olhar pro relógio. Apenas fique atenta, pois se as mamadas começam a ficar muito longas (40, 50 minutos) geralmente o bebê está fazendo uma sucção não nutritiva – apenas mexendo de leve a boquinha, sem abocanhar toda a aréola e movimentando a mandíbula – então é hora de descansar um pouquinho, para evitar as fissuras e rachaduras.

5) Comece dando um peito por vez: isso vai garantir que o bebê chegue ao leite posterior, aquele que é mais rico em gorduras e que vai saciar a fome, deixando-o dormir por um pouco mais de tempo.

6) Nos primeiros dias, seu bebê terá acesso ao colostro, que é um leite bastante denso e amarelado, que contém os anticorpos de que ele tanto necessita. Porém, não se assuste! O volume deste leite é bem pequeno, mas ele é capaz de nutrir e satisfazer o bebê por vários dias. A grande maioria das mães percebe a descida do leite entre o 3º e o 7º dia pós-parto. Nesta fase, os seios ficam bastante duros e pesados, a aréola esticada e algumas mães chegam a sentir febre e moleza no corpo. Caso o seio esteja muito duro, com a pele brilhosa e endurecida, faça massagens circulares com movimentos firmes, iniciando da aréola até a extremidade do seio. Depois, faça um pouco de ordenha manual, tirando o excesso de leite até que sinta a aréola bem mole e flexível. Só então ofereça o seio ao bebê, pois com o peito muito cheio e duro é difícil que ele consiga abocanhar a aréola toda e massagear os ductos da maneira necessária para extrair o leite que precisa.

7) Caso sinta dor, desconforto, ou mesmo dúvidas, procure a ajuda de um profissional o quanto antes! Algumas maternidades oferecem o serviço de uma enfermeira de lactação, ou você pode chamar uma consultora em amamentação (em sua casa ou no próprio hospital) ou ainda visitar um Banco de Leite, onde será orientada. Não ofereça a mamadeira antes que buscar ajuda pois, sem saber, você pode estar minando a amamentação de seu filho.

07jan

A privação do prazer e a violência – por Laura Gutman

Recebi mais um texto maravilhoso da Laura Gutman e não poderia deixar de compartilhar também aqui. Não estranhem a poeira que tomou conta desse blog: o site não está como eu esperava e por isso não me animei a dar início às postagens. No entanto, este probleminha já está sendo resolvido e em breve teremos um site tinindo e um blog super atualizado!

La privación del placer y la violencia

La privación del placer físico sensorial durante la primera infancia, es la principal causa de la violencia social. La violencia en gran escala sólo acontece en las culturas y comunidades en las que somos represivos con los niños y por supuesto en las que también reprimimos la vida sexual en general. Lamentablemente tengo la sensación que aún no estamos listos para mirar de frente la sistematización del abuso, porque tendríamos que cuestionar el surco completo con la lógica que lo sostiene para percibir el autoritarismo, el maltrato y la dominación de los más fuertes sobre los más débiles. Esta organización la ha sistematizado el patriarcado, con el objetivo de dominar y acumular bienes. Las guerras son parte necesaria de este sistema que es ob ligatoriamente fratricida, es decir, necesita que los hermanos nos matemos unos a otros con el fin de obtener territorio, ganancias o poder. Para ello, precisamos generar guerreros, es decir, seres insensibles y capaces de matar. Eso es algo muy fácil de lograr: simplemente negándoles a los bebes y niños pequeños el cuerpo materno y el placer que ese contacto conlleva. Si el niño sufre en la medida suficiente, luego será capaz de reaccionar con ira para lastimar y dominar a otros.

Ahora bien, el amor es fundamental. Un bebe que no ha sido “humanizado” a través de la sustancia materna al inicio de su vida, va a padecer un proceso de “deshumanización” con las consiguientes reacciones agresivas, ya que aprendió a adaptarse a un entorno carente en términos afectivos. Cada experiencia de vacío afectivo que sufre un niño humano, se suma a otras experiencias de muchos otros niños que se encuentran en las mismas condiciones, hasta que esa desesperación se plasma en una escala colectiva.

Por otra parte, los tiempos modernos nos juegan en contra. Las mujeres creemos que estamos accediendo finalmente a nuestra tan ansiada libertad -después de siglos de sometimiento al varón- por el hecho de trabajar y ganar dinero y que ésta es una victoria del género femenino. Sin embargo, podemos acceder a puestos de poder político o económico, pero si las mujeres seguimos caminando por el surco ciego de la represión y las limitaciones del amor primario, si no reconocemos la dureza que paraliza nuestro cuerpo, si no estamos dispuestas a escuchar nuestros latidos uterinos, si no ofrecemos nuestros pechos y nuestros brazos para el cobijo de la cría; entonces continuaremos siendo artífices indispensables de la violencia en el mundo. Porque resulta que sin amor primario no hay libertad. Sólo hay miedo y compensaciones desesperadas. Las mujeres somos la bisagra entre el pas ado de represión, oscurantismo y odio; y el futuro que deseamos de movilidad, libertad y búsquedas creativas. Somos las mujeres quienes tendremos que comprender la relación directa que hay entre el amor primario y la libertad. Entre la represión del amor y la violencia.

Laura Gutman

19nov

Bate papo virtual sobre amamentação!

Na próxima 2a feira – 22/11 – estarei disponível a partir das 19h na conferência on-line da Escola Virtual Para Pais onde falaremos sobre os benefícios da amamentação, as principais dúvidas e as intercorrências mais comuns desse período tão importante da vida de nossos bebês.

A amamentação é o principal fator de proteção e promoção da saúde dos bebês. Mas nem sempre é uma tarefa fácil, nem intuitiva. É preciso conhecimento, e muitas vezes apoio. Nesta conferência vamos discutir não só questões ligadas à técnica da amamentação, seus problemas e como corrigi-los, mas também conversar sobre aspectos do ambiente e do contexto que interferem neste processo fundamental da vida de bebês e famílias.

Para participar da conferência não é preciso nenhum equipamento especial, basta um computador com conexão à internet. Os cinco primeiros que se cadastrarem indicando o código “Posso Amamentar” poderão participar gratuitamente. Divulguem para suas amigas gestantes, mamães e demais interessados, vai ser bem legal!

O site é o http://www.escolavirtualparapais.com.br

Até lá!

01nov

A lactância selvagem

Esse é um dos meus textos preferidos quando se fala em amamentação. E, como estou sem tempo de dar o gás que esse blog precisa pra iniciar com o pé direito, vou postá-lo para que não pensem que esqueci desse espaço. Ele foi escrito pela famosa psicoterapeuta e escritora argentina Laura Gutman que, aliás, tem vários outros textos e livros imperdíveis sobre os mais variados assuntos no campo da maternidade.

——-
A lactância selvagem (Laura Gutman)

A maioria das mães que consultam por dificuldades na lactância estão preocupadas por saber como fazer as coisas corretamente, em lugar de procurar o silêncio interior, as raízes profundas, os vestígios de feminidade e um apoio no companheiro, na família ou na comunidade que favoreçam o encontro com sua essência pessoal.

A lactância genuína é manifestação de nossos aspectos mais terrenais, selvagens, filogenéticos. Para dar de mamar deveríamos passar quase o tempo todo nuas, sem largar a nossa criança, imersas num tempo fora do tempo, sem intelecto nem elaboração de pensamentos, sem necessidade de defender-se de nada nem de ninguém, senão somente sumidas num espaço imaginário e invisível para os demais.Isso é dar de mamar. É deixar aflorar nossos rincões ancestralmente esquecidos ou negados, nossos instintos animais que surgem sem imaginar que ainda estavam em nosso interior. E deixar-se levar pela surpresa de ver-nos lamber a nossos bebês, de cheirar a frescura de seu sangue, de chorrear entre um corpo e outro, de converter-se em corpo e fluidos dançantes.

Dar de mamar é despojar-se das mentiras que nos contamos toda a vida sobre quem somos ou quem deveríamos ser. É estar “desprolixas”, poderosas, famintas, como lobas, como leoas, como tigresas, como “canguruas”, como gatas. Muito relacionadas com as mamíferas de outras espécies em seu total afeiçoo para a criança, descuidando ao resto da comunidade, mas milimetricamente atenciosas às necessidades do recém nascido.

Deleitadas com o milagre, tratando de reconhecer que fomos nós as que o fizemos possível, e reencontrando-nos com o que tenha de sublime. É uma experiência mística se nos permitimos que assim seja.

Isto é tudo o que se precisa para poder dar de mamar a um filho. Nem métodos, nem horários, nem conselhos, nem relógios, nem cursos. Mas sim apoio, contenção e confiança de outros (marido, rede de mulheres, sociedade, âmbito social) para ser uma mesma mais do que nunca. Só permissão para ser o que queremos, fazer o que queremos, e deixar-se levar pela loucura do selvagem.

Isto é possível se se compreende que a psicologia feminina inclui este profundo afinco à mãe-terra, que o ser uma com a natureza é intrínseco ao ser essencial da mulher, e que se este aspecto não se põe de manifesto, a lactância simplesmente não flui. Não somos tão diferentes aos rios, aos vulcões, aos bosques. Só é necessário preservá-los dos ataques.

As mulheres que desejamos amamentar temos o desafio de não nos afastar desmedidamente de nossos instintos selvagens. Costumamos raciocinar, ler livros de puericultura e desta maneira perdemos o eixo entre tantos conselhos pretensamente “profissionais”.

Há uma idéia que atravessa e desativa a animalidade da lactância, e é a insistência para que a mãe se separe do corpo do bebê. Contrariamente ao que se supõe, o bebê deveria ser carregado pela mãe o tempo todo, inclusive e sobretudo quando dorme. A separação física à que nos submetemos como rotina entorpece a fluidez da lactância. Os bebês ocidentais dormem no moisés ou no carrinho ou em seus berços demasiadas horas. Esta conduta singelamente atenciosa contra a lactância. Porque dar de mamar é uma atividade corporal e energética constante. É como um rio que não pode parar de fluir: se se o bloqueia, desvia seu volume.

Dar de mamar é ter o bebê a colo, o tempo todo que seja possível. É corpo, é silêncio, é conexão com o submundo invisível, é fusão emocional, é loucura.

Sim, há que ser um pouco louca para maternar.

21out

Sete razões para NÃO conseguir amamentar

Há tantas coisas que você precisa ter sucesso e que não tem nada a ver com o bebê. Quando pessoas me questionam porque apoio a amamentação, eu quero gritar- VEJA PORQUE!
1. Não confiamos em nossos corpos A maioria das mulheres podem produzir leite, leite suficiente para alimentar seu bebê e até gêmeos. Com tantos pediatras obcecados com o ganho de peso do bebê e usando curvas de crescimentos errados para bebês amamentados (usam curvas para bebês que tomam LA que ganham mais peso), é suficiente que mães se sintam terríveis porque estão matando seus filhos de fome (oh, a culpa!!).
2. Não há apoio para o início da amamentação Quanto antes você colocar seu bebê no peito após nascer, melhores as chances de sucesso na amamentação. Você pode ainda conseguir amamentar se não amamentar seu RN logo que nascer, mas quanto mais apoio da equipe do hospital para amamentar na primeira hora, melhor. Se o hospital tiver especialistas em amamentação, use seus serviços. Sério, mesmo que ache que é uma expert em amamentação, peça sua ajuda.

3. Maridos são desencorajadores Se teu marido é do tipo que vai preparar uma mamadeira no minuto que você começar a reclamar de seios doloridos, você não vai ter sucesso (na amamentação e possivelmente no casamento). O sistema de apoio em casa é vital para o sucesso.

4. Família não apoia Você não mamou no peito e está aí, vivinha da silva —reconhece essa frase? Até essas palavras vindo de sua mãe podem ser desencorajadoras (mesmo que ela não tenha má intenções). Se você escolheu amamentar, todos a sua volta devem escolher aceitar sua escolha e apoiá-la.

5. Amigos não entendem Quando você se torna uma mãe, sua vida social muda. Se você amamenta, muda mais ainda. Ter amigos que apoiam e entendem que você não vai poder beber caipirinhas e terá somente poucas horas livres antes que tenha que voltar para casa e amamentar e ainda consigam ser seus amigos são grandes amigos e não só amigos, mas grandes apoios.

6. Empregos não acomodam Alguns empregos tem zero apoio e isso é uma dificuldade enorme para ordenhar no ambiente de trabalho. Banheiros não devem ser usados como sala de ordenha, mas frequentemente são. Mães que trabalham fora precisam de apoio para conseguirem continuarem a amamentar quando retornam ao trabalho e a única maneira que conseguiremos isso é exigindo melhores condições e conseguindo parceiras para que todos entendam a importância da amamentação. Não consigo fazer uma piada aqui pois a culpa que a mãe sente quando retorna ao trabalho é muito grande.

7. A comunidade dificulta muito. Toda semana temos casos de mãe impedidas de amamentar em público. Eu não faço piadas das peças horrorosas de moda que vejo na rua, então me faça a mesma gentiliza… se você não gosta, olhe para outro lado (e troque essa camisa horrível).

Algumas pessoas vêem as mães que amamentam como um monte de estúpidas cheias de complexos porque têm seios lactantes. Ou então eles falam, “Ninguém amamentou seus filhos na minha família e todo mundo está vivo.”

Bem, sabe de uma coisa? Mulheres não tinham direito de votar, e agora temos. Então… as coisas mudam. Se você está se perguntando porque as mães que amamentam fazem tanta ‘campanha’, é porque não há apoio suficiente lá for a para aquelas que desejam amamentar. Não é porque nos consideramos superiors as mães que escolhem não amamentar, é porque precisamos de apoio (e não somente porque nossos seios são mais pesados).

Você tem um bom sistema de apoio? Você apoia amamentação entre mulheres que conhece?

Fonte: http://thestir.cafemom.com/baby/111186/7_reasons_you_wont_succeed
Tradução: Andréia Mortensen

23jul

Por que amamentação?

Para inaugurar esse espaço, pensei em falar justamente de inícios, despertares, de como tudo começou… muitas pessoas me perguntam o porquê desse envolvimento com a amamentação, com a humanização no atendimento à gestante e puérpera, de onde surgiu esse interesse e porque enveredei por esse caminho. Aqui contarei então um pouco dessa história.

Quando minha filha Júlia nasceu, há 5 anos, eu percorri um longo caminho. Um caminho repleto de informações, descobertas e muita, muita procura. A procura por um profissional que respeitasse minhas decisões e, principalmente, as levasse em conta. Que fosse capaz de prestar um atendimento humanizado e que não me tratasse como mais uma. Nesse caminho, busquei estar munida daquilo que considero mais importante em todo processo da minha vida: INFORMAÇÃO. Cheguei ao trabalho de parto preparada, informada, sabendo como se desenrolaria aquele processo, e aquilo certamente me deixou mais tranqüila e segura. É claro que continuou a ser emocionante, inesperado, assustador, como toda 1ª experiência, mas tenho certeza de que estar bem informada e bem acompanhada resultou no parto dos meus sonhos.

Para a amamentação, a história foi um pouco diferente. Acompanhei uma aula no meu curso de yoga, li algumas revistas, sites… mas na hora H, simplesmente não aconteceu. Eu tinha uma ilusão, e sei que é uma ilusão de muitas gestantes – por isso a importância de se colocar isso aqui – de que seria tudo automático, impulsivo. Bebê nasceu, veio pro colo, abocanhou o seio e glup, glup, glup, mamando… aquela cena linda, de filme, de novela, a mãe ali, plena, feliz e o bebê sendo alimentado, engordando a olhos vistos. Pois nada disso aconteceu… na sala de parto minha filha não quis o peito. Pensei, “tudo bem, acontece, já li em muitos relatos”, mas a hora foi passando e eu ia me deparando com a dificuldade de amamentá-la. Botava a Júlia ao seio, encostava e nada dela pegar. Às vezes conseguia, mas na maioria só ficava ali olhando. Chamei no próprio hospital uma enfermeira que nunca apareceu. Na hora da alta, minha filha tinha finalmente conseguido dormir, então dispensei a ajuda da pediatra pois não queria acordá-la depois de uma noite inteira em claro chorando. E assim fui pra casa, sem lenço, sem documento, com uma linda ruivinha que nasceu a termo, perfeita, mas sem saber mamar.

Depois da 2ª noite sem conseguir amamentar ou dormir – e, é claro, sem dar o braço a torcer e comprar mamadeira ou leite artificial – resolvi qual seria o primeiro passeio da vida da minha filha: vamos ao Banco de leite do IFF! Que bom que em meio aos devaneios do pós-parto eu tive essa brilhante idéia! Juntamos a mega-bolsa, bebê, marido, babá, carrinho e fomos lá, em nosso primeiro passeio em busca de uma orientação. E então… teve início essa história, pois além da orientação, que resultou em uma linda história de amamentação, ganhei também uma profissão. Pois naquele momento, renasceu a psicóloga que estava adormecida dentro de mim, e ali descobri a minha vocação. Eu, que nada sabia, parti em busca de uma formação pois me vi ali, naquele lugar, ajudando e orientando muitas e muitas mães.

E agora estou aqui, apta a reproduzir este conhecimento, atendendo mães que, como eu, precisam de um empurrãozinho pra escrever uma linda história. Porque amamentação é prazer, é saúde, é vínculo, é um super poder do qual nós, mamíferas, podemos e devemos usufruir. Então não deixe de pedir ajuda, pois o caminho pode ter alguns obstáculos mas, com o apoio correto, podemos todas percorrê-lo sem maiores dificuldades!

Neste espaço pretendo falar semanalmente sobre diversos assuntos ligados à maternidade, amamentação, pós-parto, humanização e muitos outros, não deixe de nos acompanhar!