14jul

A respeito da nota “Nova profissão” – Joaquim Ferreira dos Santos em 14/7/2011 no Segundo Caderno, O Globo.

Caro colunista Joaquim Ferreira dos Santos,

A respeito da sua nota “Nova profissão” no Segundo Caderno de O Globo de hoje, 14 de julho de 2011, cabe informar que:

Apesar da tarefa de amamentar filhos existir há milênios, como colocado por você, não se trata de um sabedoria inata ao ser humano. As mulheres possuem o “equipamento” necessário e os bebês tem a capacidade de sugar, mas amamentar, como tantas coisas na vida desta dupla, é a resposta a um aprendizado que ocorre após o nascimento. Com o advento das fórmulas artificiais e o marketing agressivo da indústria alimentícia e farmacêutica, tivemos nada menos do que duas gerações de mulheres que criaram seus filhos sem a cultura da amamentação e, portanto, hoje sofremos as consequências. Jovens mães que pouco tiveram contato com a simples visão de um bebê sendo amamentado, tem dificuldades em exercer uma função que um dia foi considerada natural. Além disso, a grande proporção que tomaram as cirurgias de reconstrução mamária, bem como as cesáreas eletivas, trouxeram à tona um grande grupo de mulheres mais sucetíveis às dificuldades naturais dos primeiros dias de amamentação.

No Brasil, somos especificamente privilegiados pois contamos com uma rede de mais de 200 Bancos de leite Humano espalhados pelo país que, além de oferecer serviços às comunidades carentes, também oferecem – GRATUITAMENTE – orientação sobre amamentação à qualquer mulher que ali se dirige em busca do serviço, sem a necessidade de marcação de consulta prévia.

Ocorre que, existem famílias com maiores possibilidades financeiras que preferem receber este serviço no conforto de sua residência, nada mais justo levando-se em conta de que esta mulher muitas vezes acabou de passar por uma cirurgia de alto porte e tem em mãos um recém-nascido. Para isto, surgiu o serviço de atendimento à amamentação em domicílio, ironicamente chamado em sua nota de “Personal Peito”. Somos psicólogas, enfermeiras, fonoaudiólogas e pediatras que investimos nosso tempo e dinheiro em uma formação específica de manejo clínico de amamentação que pudesse trazer um suporte individual a um sofrimento tão comum e pouco falado na mídia: os problemas de início e manutenção da amamentação.

As campanhas do Ministério da Saúde apoiando a amamentação até os 2 anos de idade, cerceando o marketing agressivo das indústrias de alimentos e bicos artificiais, bem como o trabalho dos Hospitais Públicos Amigos da Criança são um benefício muito importante para o reestabelecimento da cultura da amamentação em nossa sociedade. Mas não podemos esquecer das classes mais favorecidas, estas que tem acesso fácil à mão de obra para ajudar com o bebê, podem pagar os preços pelas fórmulas mais caras e bicos importados, no entanto, estão em busca de apoio e informação para dar o melhor aos seus filhos: leite materno.

Atenciosamente,

Bianca Balassiano Najm

Psicóloga e Consultora em Amamentação

CRP 05/40257

http://www.possoamamentar.com.br

Assine nossa newsletter!

Inscreva-se para receber novidades por email!

Compartilhe!

Comments

  1. Rosane Rito says:

    Prezados,

    Gostaria de parabenizar a psicóloga Bianca Balassiano pela tentativa de esclarecer a população em geral, por meio da resposta dada ao colunista Joaquim Ferreira dos Santos, sobre a falsa ideia da amamentação como um ato natural.

    Essa prática, vital para o melhor crescimento e desenvolvimento infantil, para a saúde da mãe e fortalecimento do vínculo familiar, começa a ser resgatada!

    E, como citou Bianca, grande parte desse sucesso foi a elaboração e consolidação da Política Nacional de Aleitamento Materno, fomentada pelo Ministério da Saúde, responsável pelas diretrizes que orientam uma rede potente de profissionais de saúde e sociedade civil organizada.

    Aproveito para lembrar que no mês de agosto, mês da amamentação e da paternidade, viveremos a “I Semana do Bebê Carioca – RIO, A CIDADE QUE AMAMENTA!”

    Participem da Mobilização Popular, no dia 28 de agosto, das 9 às 14h, na Cidade das Crianças, no Aterro do Flamengo.

Speak Your Mind

*