30jul

Resposta à matéria “A encantadora de mães”, Segundo Caderno do Jornal O Globo – 30/07/2012

Em referência à matéria “A encantadora de mães” publicada na coluna “Boa Gente” (Joaquim Ferreira dos Santos) do Segundo Caderno do Jornal O Globo desta segunda-feira, 30/7/2012, gostaria de esclarecer que não há nenhuma evidência científica a respeito da utilização da gordura animal como efeito protetor ou cicatrizante para as intercorrências da mama durante a fase da amamentação.  Acredito que um veículo de comunicação deste porte deveria buscar fontes confiáveis ao publicar este tipo de informação, uma vez que ela atinge um número muito grande de mulheres que, ao fazerem uso deste tipo de prática, podem colocar em risco sua saúde física e de seus bebês.

No entanto, existem inúmeras publicações científicas que comprovam que as fissuras e rachaduras comumente observadas no período inicial da amamentação estão diretamente relacionadas à pega e posicionamento incorreto do bebê ao seio. Sendo assim, a melhor orientação que pode ser dada às novas mamães, seria que observassem estes aspectos ao invés de colocarem produtos de origem duvidosa em contato com as fissuras mamárias, uma vez que a presença de microrganismos pode inclusive dar início a um processo infeccioso. Além disso, toda mãe tem à sua disposição o próprio leite materno que, aplicado sobre o seio após cada mamada, pode otimizar o processo de cicatrização além de possuir efeito antibactericida e  antisséptico.

O Brasil é o país com maior número de Bancos de Leite Humano no mundo, sendo inclusive responsável por exportar tecnologia em processamento e armazenamento de leite humano. Além deste trabalho, os Bancos de Leite também oferecem à população orientação e aconselhamento para amamentação gratuitamente, seguindo as orientações do Ministério da Saúde, Organização Mundial de Saúde (OMS), Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Unicef. Sugiro a este distinto veículo de comunicação que procure fontes mais confiáveis e seja mais responsável ao publicar informações das quais possam decorrer inúmeros danos à saúde materno-infantil, principalmente neste momento tão vulnerável da vida do binômio mãe-bebê que são os primeiros dias do puerpério. Profissionais capacitados certamente não faltam.

 

Bianca Balassiano Najm

Psicóloga e Consultora em Amamentação

 

 

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